Regina Casé recebe o título de cidadã soteropolitana. Veja.

Tem muito da Ribeira nessa história de Regina Casé. Tem Roque, por exemplo, nosso funcionário mais antigo. E viva a nova cidadã soteropolitana!!!

Dona Mira, que frequenta a missa de terça-feira na Igreja do Rosário dos Pretos, e a banda que anima o ofertório do templo no Pelourinho. Roque, funcionário antigo da Sorveteria da Ribeira. Dona Regina de Omolu, devota de Iemanjá, que vai bem cedinho botar o presente na Casa do Peso. Graziele e Paulinho, que vendiam queijo coalho na praia da Terceira Ponte quando crianças, a quem Regina levava em casa quando eles esvaziavam a guia. E todo mundo que assiste a missa de segunda-feira na Igreja de São Lázaro. São essas pessoas, personagens anônimas das ruas de Salvador, que a atriz e apresentadora carioca Regina Casé, 58 anos, quer ver presentes na cerimônia especial que lhe entregará o título de cidadã soteropolitana, amanhã, às 19h, na Câmara dos Vereadores, na Praça Thomé de Souza, Centro.

“É que, desses amigos, não tenho o telefone. Conheci muita gente nas ruas de Salvador nestes últimos 30 anos. Eles sabem exatamente quem são e cada um está convidado. Vão lá me encontrar, falar comigo, matar a saudade”, convoca Regina, emocionada com a honraria recebida.

INTIMIDADE:

Sem falsa modéstia, ela conta que o título demorou de chegar: “Tem gente que acha que sou baiana, que me finjo de carioca. Nem desminto mais, é engraçado… Acho esse título muito justo porque tenho uma ligação muito profunda com a Bahia, minha filha sempre quis morar aí, desde pequenininha”. Basta somente uns minutinhos de conversa para entender o porquê desse título. Regina Casé não só frequenta assiduamente Salvador desde a década de 70, como conhece tudo quanto é canto da cidade, falando com propriedade da rotina de Salvador. “Não fico só no circuito Barra-Ondina, não. Conheço o Centro e a periferia também. Vivo a Bahia sem preconceito, conheço pouco rico na Bahia”. Não poderia ser diferente. Curiosa, acessível e muito popular, ela acompanhou as mudanças da cidade de perto. Não à toa, escolheu o Santo Antônio para comprar a casa onde vai morar quando a idade avançar. O imóvel, que está sendo restaurado pelo arquiteto David Bastos, ainda não está pronto.

“Sempre sonhei ter uma casa naquela região, quero ficar velhinha e morar aqui. É projeto bem romântico meu e de Estevão (Ciavatta, diretor e roteirista de televisão, produtor de cinema e marido dela) e uma prova de amor à Bahia, porque aquela região é o coração do Brasil e está largado, violento e cheio de gente sofrendo com o crack”, diz, evitando avançar na crítica social porque é “ano de eleição e porque está recebendo um prêmio lindo”.

Negritude
Regina Casé é Baiana de coração. “O melhor de Salvador é a doçura do povo, a força cultural e espiritual, o manancial de beleza. O que me diverte, o que me alegra são 90% baianos. Gosto do Carnaval, da praia, da dança e da comida. A Bahia é o lugar mais africano do Brasil e eu tenho identidade profunda com a cultura negra”, revela. O pior, segundo ela, é a pobreza, a degradação, a violência que chegou com tudo. “Isso tem que acabar, não tem a cara da Bahia. Mas, a violência é filha do abandono. No Rio, melhoramos muito, apesar de ainda termos um longo caminho. Em Salvador, a violência no dia a dia está terrível. Minha relação com a cidade é como um casamento, na saúde e na doença”, reflete. (Fonte: IBahia)

 

Matéria gerada a partir de publicação no blog A VOZ da BAHIA: http://www.vozdabahia.com.br/index/blog/id-47784/regina_case_recebe_titulo_de_cidada_soteropolitana_nesta_segunda__17_

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