Nana Caymmi declara seu amor à Sorveteria da Ribeira e revela seus sabores preferidos.

Nana Caymmi declara seu amor pela Sorveteria da Ribeira

Bem do jeitão dela, sem cerimônia, Nana Caymmi desmonta as expectativas de qualquer repórter. Seu show nesta sexta-feira, abertura do projetoAcústico TCA 2012, foi divulgado como “especialmente concebido para a Bahia”, além de marcar seus “50 anos de carreira”.

Pois ela nega tudo. Nem uma coisa, nem outra. “Imagina! Não tem nada disso. O repertório é o mesmo que tenho feito desde que voltei a me apresentar ao vivo, depois da morte dos meus pais. Dei uma parada porque foi um atrás do outro, mas voltei porque não dá pra ficar chorando em casa. Até porque as contas chegam”, afirma.

“E quem foi que disse que eu tenho 50 anos de carreira? Eu tenho 45”, garante. “O que acontece é que de fato, eu gravei algumas coisas com meu pai, quando eu ainda estava casada e morando na Venezuela, mas ainda não era profissional. Quem trabalha comigo é que é criativo, gosta de criar gancho para a imprensa”, acrescenta, divertindo-se ao telefone. Essa é Nana Caymmi.

Também não adianta perguntar à cantora, uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira, quais canções de Tom Jobim e do seu pai estarão no repertório do show: “Ah, mas eu não consigo lembrar! Deixa eu ver. Tem Dora, João Valentão, Nem Eu (todas de Caymmi). Eu calco o show bem nesses dois. Não é nem porque eles não estão mais aqui. É que, eu se eu não cantar, eles caem no esquecimento”, aposta.

“Mas sei que é um show bonito, no sentido de que são músicas da pesada, de gente que deitava na praia para se inspirar, sabe? Que  não tinha essa pressa toda pra ganhar dinheiro que se vê hoje em dia”, observa.

“E eu gosto de fazer isso, de cantar. Sou ouvida, então me esmero. Mas levo uma vida de monge, porque minha voz é tudo. Então eu fico caladinha vendo o mar pela janela”, diz.

Nana esteve em Salvador pela última vez em novembro, quando fez um show para convidados no restaurante Amado – e confessa que não tem sentido muita saudade da cidade.

“A Bahia acabou, né? Não dá mais pra passear aí. Se eu quiser ver prédio grande, vou pra São Paulo”, dispara. “Fiquei muito triste com essa tragédia que eu li sobre a liberação do gabarito na orla. Aliás, espero que seja meu último show aí. Eu não quero ver essa desgraça que já deixava meu pai tão triste”, diz.

Nem tudo está perdido, contudo. Para Nana, enquanto houver Sorveteria da Ribeira, ainda há Salvador. ”Não deixo de tomar sorvete na Ribeira, é o que eu amo. Tomo dois grandões: um de manga e outro de coco. No dia em que acabar (a Sorveteria) eu não volto mais nessa Bahia”, e cai na gargalhada.

Matéria publicada em www.atarde.com.br [atardeonline] em12/01/2012 ÀS 13:55

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